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Os filhos esquecidos da educação

http://www.anf.org.br/os-filhos-esquecidos-da-educacao/

No Brasil, a lei sempre pode justificar os meios e os fins. Para fazer e para não fazer. Para desdizer ou maldizer. Ouço que a lei existe em todo o mundo, em todos os Estados – de direitos ou exceção. Por isso sempre me questiono sobre a verdade. Lei e verdade andam desde sempre juntas, para o bem ou para o mal. E será que vale a pena discutirmos o que é a verdade hoje? Será que estamos preparados para esta discussão ou será que estamos dançando no escuro, como se ainda estivéssemos na Caverna de Platão à espera de alguma luz?
Na Grécia Antiga, era a mitologia que explicava os acontecimentos através de narrativas heroicas. Aquiles e Odisseu são heróis coletivos e fundadores. O que mais importava naquele tempo era a narrativa, porque por ela se conhecia os homens. Pela narrativa, chegávamos à fundação dos povos. Pela narrativa, um povo dizimava o outro e fundava um novo princípio. No poema épico, Aquiles se banha de sangue e seu e…
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Deus mesmo, quando vier ao Brasil, que venha armado

armado/http://www.anf.org.br/deus-mesmo-quando-vier-ao-brasil-que-venha-armado/

                    Clarice Lispector tem um texto belíssimo que fala sobre as vantagens de ser bobo. O bobo que ao se tornar “o ignorado” – consegue levar a vida com aquela dose de sonho e crença no mundo. “Ignoscere” é um verbo em latim que significa “não conhecer”. A ignorância pode ser tomada aqui – nessa origem, como sinônimo do “se não conheço, desconheço e não reconheço”. Seria então o desconhecimento voluntário do que não reconheço. E se algo diz muito perto à esta ignorância é a nossa conhecida não–compreensão da alteridade, que existe um outro além de mim. Se não conhecemos não compreendemos, se não compreendemos não podemos ver. Daí a distopia que tanto nos atinge ultimamente. Em tempos de distopia cresce a dureza sem ternura que leva à incompreensão, à “indiferença” e leva à banalidade do mal.                       Viver é o nosso primeiro direito humano. E já disse a Elisa Lucinda que “a vida…

Sebos: a resistência com todas as letras

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A livraria no Brasil, de uma forma geral, é hoje uma boutique de livros. Lembrando a ironia tão peculiar de Nelson Rodrigues, que tão bem dizia que “toda unanimidade é burra”, esta é uma constatação, de fato, quase unânime. Claro, sem ofender às boas livrarias que resistem bravamente à avalanche das novidades, cada vez que entro em certas duas ou três livrarias de shopping e olho aquelas mesas-vitrines com aquela quantidade enorme de livros que já foram vendidos aos milhões mundo afora, sou convidada a sentir certa náusea.
Não vejo diferença entre esse tipo de estabelecimento e a sapataria do andar de baixo. O sujeito olha, sente aquele já conhecido comichão do consumo e acaba levando para casa o mais recente título, sem que isso faça muito sentido pra ele. “É o último lançamento, você não pode perder essa oportunidade de colocar na sua estante”. E o sujeito, mais consumidor que leitor, mais colecionador que leitor, comp…

Era uma vez o livro proibido pelo MEC...

Era uma vez o livro proibido pelo MEC
Quando li a notícia de que o Ministério da Educação (MEC), através de ofício, ordenou o recolhimento de noventa e três mil exemplares do livro infantil “Enquanto o sono não vem”, de José Mauro Brant, quem perdeu o sono fui eu. Lembrando que o livro faz parte do Programa de Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), programa voltado para alunos das séries iniciais das escolas públicas. Pergunto então: como é possível que uma obra baseada nas histórias orais da cultura brasileira possa ofender tanto? Será que os técnicos do ministério não entenderam que há neste ato uma atitude altamente repressiva? E o que há por trás desta determinação tão autoritária?
A confusão começou quando educadores muito preocupados entenderam que o conto “A triste história de Eredegalda” fazia referência a incesto, um tema por demais complexo para ser comentado com crianças pequenas. Claro. Mas, espera aí… Só para citar dois, pois receio que terão que proibir também Chapeuzinho…

DIVULGAÇÃO: Mulherio das Letras em São Paulo (Primeiro Encontro Regional)

Homem é muito bem-vindo  (mas só como público)
  Mulherio das Letras 2017 promove união entre escritoras de todo o país.    Em São Paulo, o primeiro encontro aberto ao público já tem dia e hora para acontecer.
Local: Livraria Blooks Dia 29 de junho de 2017 Shopping Frei Caneca, São Paulo Rua Frei Caneca, 569 Das 19h às 22h
         Algo novo está surgindo no país. Um movimento de mulheres ligadas à literatura, o “Mulherio das Letras” que, a partir de conversas informais entre escritoras, e a coordenação inicial da premiada autora Maria Valéria Rezende, com um grupo reunido em João Pessoa, começa a sacudir o marasmo do ambiente literário em 2017. Lançado há apenas dois meses, o movimento já conta com mais de 3.900 inscritas (entre escritoras, editoras, ilustradoras, críticas literárias, professoras e jornalistas) e realizará seu primeiro encontro nacional entre 12 e 15 de outubro deste ano em João Pessoa, PB.       É importante frisar que é um movimento sem curadorias, "mesas” com es…

Revista Cult: Conheça o Mulherio das Letras, articulação de autoras por igualdade no mercado editorial

Helô D'Angelo (9 de junho de 2017)
"Entre 12 e 15 de outubro, o Mulherio das Letras vai reunir pelo menos 400 mulheres ligadas à escrita no Centro Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa (PB) – cidade escolhida para fugir do eixo Rio-São Paulo, o que mais lança autoras no Brasil. Além de um evento, o ‘Mulherio’ é também um movimento: trata-se do primeiro grupo literário em nível nacional voltado para a reunião, revelação e para o auxílio de mulheres ligadas às letras – sejam elas escritoras, editoras, acadêmicas ou mesmo designers.
“Criamos ali, meio sem querer, um grande agregado de mulheres no mercado editorial”, diz Maria Valéria Rezende, escritora, vencedora do prêmio Jabuti e uma das organizadoras do grupo. “A ideia é que seja uma forma de congregação de autoras, completamente livre e sem hierarquia.”
Será o primeiro encontro nacional voltado quase que exclusivamente para autoras do sexo feminino. Na programação há rodas de conversa sobre literatura e mercado editori…

Dia do trabalho: dois textos e dois rios de entranças

Memória de territórios
             (Professora Patricia Porto)
                   Comecei a trabalhar aos quatorze anos de idade. Fiz de tudo um pouco, armarinho, aula particular, loja de bugigangas, escritório, fábrica, banco e por fim, escola e universidade. Acho que me fiz ser humano pela cultura do trabalho. Não sei ser outra pessoa sem passar por esse viés. Conheci muita gente neste percurso, muitas companheiras, muitos companheiros de jornada, e aprendi desde cedo – com eles – dividir o fardo, me solidarizar e me incomodar profundamente com a injustiça social. Não foi um caminho fácil até chegar à universidade. Estudante de escola pública uma vida inteira, ao chegar na universidade tive que enfrentar o desafio de ser uma estudante trabalhadora, da classe trabalhadora. Não à toa levei sete anos para me formar em Letras, com muita luta, com muito custo. Não foram poucas às vezes que pensei em desistir. Até mesmo cheguei a desistir, mas retornei porque tinha um sonh…